Sem empreendedorismo rosa não há desenvolvimento socioeconômico

Respeitar a liberdade de escolha das mulheres é requisito para a prosperidade de um país

As propostas de uma agenda reformista e estímulo ao empreendedorismo do atual do governo oferecem algumas das condições mínimas para a retomada do crescimento econômico brasileiro, o que tem gerado boas expectativas. Todavia, as polêmicas declarações da ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos podem indicar uma tendência a priorizar apenas o crescimento econômico, sem desenvolvimento socioeconômico.

O que isso quer dizer? Não seria o crescimento econômico, por si só, algo bom para os brasileiros? É claro que estamos diante de um assunto complexo, e é muito cedo ainda para afirmações e conclusões, mas não é tarde para suposições, diante da seriedade do assunto. Se pudéssemos resumir este momento em uma frase, esta seria: nem só de crescimento econômico ou mudanças positivas no produto interno bruto (PIB) vivem as nações, é preciso também melhoria no padrão de vida e bem-estar social dos cidadãos. Em outras palavras, de nada adianta elevar os indicadores econômicos quantitativos se não houver reflexos positivos e avanços no que tange à distribuição de renda, ao respeito à liberdade e à felicidade de todas as pessoas.

A exemplo da Holanda – que de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) está entre os seis países mais felizes do mundo, onde a população tem alto padrão de vida – a desigualdade entre homens e mulheres é a menor do mundo: LGBTs têm todos os direitos garantidos, crianças são educadas para empreender e respeitar a sexualidade das outras pessoas, e por aí vai. Por isso, num país onde a prioridade é o crescimento com desenvolvimento socioeconômico, o modelo ideal de sociedade é aquele no qual a mulher tem acesso à educação, liberdade para trabalhar, empreender e garantir sua independência financeira, e não aquele em que a mulher deve ficar em casa cuidando dos filhos e o marido garantir o seu sustento.

No Brasil, mesmo com dificuldades de acesso à educação – o que é de extrema utilidade para quem quer empreender –, falta de financiamentos, julgamentos desiguais em relação aos homens quando o assunto é negócios, entre outras, temos aproximadamente 24 milhões de mulheres empreendedoras e, nos últimos anos, cerca de 52% dos novos negócios são criados por mulheres, de acordo com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). Sendo assim, criar, apoiar e garantir o direito de acesso a espaços, no formato de coworking por exemplo, em que as mulheres possam desenvolver os seus negócios, receber capacitação e ao mesmo tempo permanecer próximas de seus filhos deve ser prioridade do atual governo.

Por fim, já está comprovado que o empoderamento das mulheres colabora com o crescimento e desenvolvimento socioeconômico de um país. Por isso, precisamos de uma equipe de governo e formuladores de políticas que saibam respeitar as liberdades individuais e garantam o direito, de todas as pessoas, de fazerem as suas escolhas a partir de seus talentos, criatividade e propósitos de vida, independente de sexo, raça, religião ou qualquer outra condição. Isso não depende de partido político e ideologias de direita, centro ou esquerda. Apenas de bom senso, empatia e respeito aos direitos humanos. Só assim teremos um país próspero e socioeconomicamente desenvolvido.

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *